Não há nada como o cheiro de um livro novinho em folha. Mas as páginas já gastas e amareladas daqueles que estão na prateleira há anos têm um outro encanto. Essas, contam histórias do passado, do presente e do futuro. Porque quem lê um livro aprende algo para a vida.

No desafio desta semana, decidi voltar a pegar numa das obras com que mais fiquei entusiasmada. Embora seja adepta de ficção e de qualquer sequência de palavras que me leve para outro mundo, adoro aprender coisas que possa aplicar no meu dia-a-dia. Eu disse que era uma pessoa de vários interesses, lembram-se?

Pois bem, a minha ansiedade costuma andar de mãos dadas com uma certa “paranóia das doenças“, como diz o meu pai, e isso sempre me fez ter algum interesse por tudo o que tenha a ver saúde. Escusado será dizer que o título “Como Não Morrer” me deixou com um brilho nos olhos.

Escritas pelo médico e fundador da NutritionFacts.org, Michael Greger, com o autor Gene Stone, as mais de 600 páginas desta obra são uma autêntica lição de como viver mais e melhor. Por isso mesmo, reuni 15 dicas, uma por capítulo, para partilhar convosco.

1 – Como não morrer de doenças cardiovasculares

Neste capítulo, Greger afirma que “as doenças cardíaca são reversíveis” e deixa uma dica essencial: “Para se tornar praticamente à prova de ataque cardíaco, precisa de reduzir o colesterol LDL, no mínimo, a menos de 70mg/dl“. Para tal, aconselha a que se evitem as comidas processadas e os produtos de origem animal, apostando em dietas à base de vegetais.

Além disso, revela o “‘segredo mais bem guardado da medicina’: “Nas condições propícias, o corpo cura-se a si mesmo“. Isto é, o nosso corpo “quer ser saudável” e só não o será se continuarmos a causar-lhe danos consistentemente, dia após dia.

2 – Como não morrer de doenças pulmonares

Além de deixar de fumar, Greger aconselha a que inclua muitos bróculos (e outros crucíferos) na sua alimentação, já que estes podem “tornar-nos mais resistentes a um nível subcelular“. Também devemos apostar na especiaria curcuma, já que o pigmento amarelo, a curcumina, “parece ter a capacidade de reprogramar o mecanismo de autodestruição nas células cancerosas“.

3 – Como não morrer de doenças cerebrais

Para prevenir AVC, Greger sugere que se consumam as quantidades diárias recomendadas de fibra, através de alimentos vegetais integrais. “Os melhores dados científicos disponíveis sugerem que é possível minimizar o risco de ter um AVC comendo um mínimo de 25 gr de fibra solúvel e 47 gr de fibra insolúvel“, diz, referindo-se àquela presente em alimentos como o feijão, aveia, frutos secos, bagas e frutos no bosque, no primeiro caso, e em cereais integrais, no segundo.

Os benefícios do potássio, dos citrinos, das horas de sono adequadas (entre 7 e 8 horas, nem mais, nem menos), dos antioxidantes presentes em especiarias e do exercício físico são outros dos tópicos referidos para não morrer de doenças cerebrais.

4 – Como não morrer de cancros no sistema digestivo

Quanto maiores e mais frequentes forem os movimentos intestinais de uma pessoa, mais saudável ela poderá ser“, afirma, explicando, uma vez mais, que a dieta à base de vegetais é a que oferece mais benefícios. Mas há algo ainda mais surpreendente.

Estudos em placas de Petri têm demonstrado que os fitatos inibem o crescimento de praticamente todas as células humanas cancerosas testadas até agora sem afetarem as células normais“, revela. E onde podemos encontrar estes compostos naturais? “Nas sementes das plantas“, como “cereais integrais, feijões, frutos secos e sementes“.

5 – Como não morrer de infeções

Tenha presente que não precisa de entrar em contacto com uma pessoa infetada para adoecer. Há infeções latentes que podem existir dentro de si, à espera para atacar se a sua funçao imunitária fraquejar. É por isso que não basta lavar as mãos; é preciso manter o sistema imunitário saudável“, garante.

Para tal, Greger sugere alimentos como a couve-portuguesa, bróculos, cogumelos, bagas e frutos do bosque, ou mesmo bactérias benéficas como os probióticos. Por fim, o médico aconselha que realize exercício físico regularmente, já que este tem provado o aumento das células imunitárias em circulação.

6 – Como não morrer de diabetes

Michael revela que “as pesquisas têm demonstrado claramente que, à medida que a quantidade de gordura na dieta vai baixando, a insulina funciona cada vez melhor”. Novamente, o autor explica que a dieta vegetal tem bastantes efeitos positivos, citando os resultados de um estudo feito com diabéticos do tipo 2.

Mesmo sem perda de peso, participantes a seguir uma dieta à base de vegetais viram as suas necessidades de insulina reduzir em cerca de 60%“, explicou, acrescentando que mais de metade dos envolvidos no estudo conseguiu mesmo deixar de tomar a hormona e que os benefícios se notaram ao fim de cerca de 16 dias a seguir aquela alimentação.

7 – Como não morrer de hipertensão

Os dois riscos alimentares mais proeminentes para a morte e a invalidez do mundo poderão ser o consumo deficitário de fruta e o consumo excessivo de sal”, diz, afirmando que se estima que tal défice provoque quase cinco milhões de morte anuais, e o excesso de sal quatro milhões.

Greger volta a mencionar os cereais integrais e refere ainda as sementes de linhaça em pó – apenas algumas colheres de sopa por dia têm efeitos redutores de tensão arterial impressionantes -, leguminosas e infusão de hibisco.

8 – Como não morrer de doenças hepáticas

Aqui o autor fala no poder da aveia e do café, que mostram ter efeitos protetores do fígado, e refere as bebidas alcoólicas, deixando claro que “beber moderadamente não é benéfico para a saúde“. Mas há algo curioso: apenas não é benéfico para pessoas com um estilo de vida saudável.

Um estudo demonstrou que uma pessoa “que fizesse 30 minutos de exercício por dia, que não fumasse e que comesse, pelo menos, uma dose de frutas ou vegetais por dia” não tinha benefícios ao consumir álcool. Mas uma ou duas bebidas alcoólicas por dia mostraram oferecer benefícios a uma pessoa de estilo de vida mais sedentário.

9 – Como não morrer de cancros no sangue

“A incidência de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo entre os vegetarianos é praticamente metade daquela entre os que comem carne”, afirma o autor. Além de um consumo maior de vegetais, Greger sugere que inclua na alimentação bagas de açaí e curcuma.

10 – Como não morrer de doença renal

As dietas mais saudáveis para os nossos corações – as que revolvem em torno de alimentos vegetais não processados – poderão ser igualmente as melhores para prevenir e tratar a doença renal“, escreve, já que, também neste caso, o colesterol é “vilão”.

Além disso, o tabagismo tem sido considerado o maior fator de risco para o cancro do rim. Mas também a carne tem sido alvo de pesquisas que já identificaram carcinogénicos semelhantes aos do tabaco. “Um único cachorro quente tem tantas nitrosaminas como quatro cigarros“, diz o autor, afirmando que esta substância também se encontra na carne fresca de vaca, frango e porco.

11 – Como não morrer de cancro da mama

Neste âmbito, Michael começa por referir que três simples comportamentos saudáveis provaram reduzir o risco deste cancro em cerca de 62%: “limitar o consumo de álcool, comer sobretudo alimentos vegetais e manter um peso corporal normal“.

Além disto, o autor revela: “comer cogumelos e beber, pelo menos, meia saqueta de chá verde por dia foi associado a uma taxa praticamente 90 por cento mais baixa de cancro da mama“.

12 – Como não morrer de depressão suicida

Tendo em conta que o livro se foca no poder curativo da alimentação, também no que toca à depressão suicida os alimentos são referidos – as verduras, as sementes, o açafrão e o café. Mas, atenção, os adoçantes artificiais devem ser evitados ao máximo, já que foi provado que promovem a depressão e irritabilidade.

Para exemplificar, o médico deixa o testemunho de uma jovem diagnosticada com depressão clínica aos dez anos de idade e que, desde então, tomava uma série de medicamentos. “Sigo uma dieta à base de alimentos integrais e vegetais há nove anos e não voltei a ter uma recaída, (…) pensamentos suicidas ou a ser hospitalizada“, cita.

13 – Como não morrer de cancro da próstata

Uma compilação de estudos com casos de controlo concluiu de facto que o leite de vaca é um fator de risco para o cancro da próstata, e o mesmo foi verificado em estudos de coorte“, escreve, acrescentado que uma meta-análise concluiu, em 2015, que o consumo elevado de lacticínios contribuía para o aumento do risco total deste tipo de cancro.

Deve apostar em bebida vegetal de amêndoa, em sementes de linhaça em pó, e aliar uma dieta maioritariamente vegetal à prática de exercício físico, já que estes dois últimos hábitos juntos provaram matar milhares de células cancerosas.

14 – Como não morrer de doença de Parkinson

O autor destaca, neste caso, o efeito nefasto das dioxinas, que são “agentes poluentes altamente tóxicos que se acumulam na gordura do tecido animal“. Conclusão? “Os investigadores estimam que uma dieta à base de vegetais poderá eliminar cerca de 98% do nosso consumo de dioxinas“.

Além disto, deve “comer vegetais ricos em nicotina, sobretudo pimentos“, evitar lacticínios, apostar em bagas e frutos do bosque, café chá verde e minimizar a exposição a pesticidas, metais pesados e, no geral, produtos de origem animal.

15 – Como não morrer de causas latrogénicas (às mãos dos médicos)

Neste último capítulo, o autor deixa dados chocantes: “estima-se que os efeitos colaterais de medicações dadas em hospitais matam cerca de 106 mil norte-americanos por ano“, que cerca de 7 mil morrem por receberem medicação errada, e que 20 mil perdem a vida graças a erros hospitalares.

A solução? “A melhor maneira de evitar os efeitos adversos de testes e tratamentos clínicos não é evitando médicos, mas antes evitando adoecer“, escreve o autor, referindo-se ao estilo de vida saudável que defende ao longo do livro.

No final do livro, são ainda revelados os alimentos e bebidas preferidos de Greger – cada um, com detalhes nutricionais e, quando necessário, o modo de preparação. Convido-vos a darem uma chance a esta obra bastante completa, que ganhou um cantinho especial numa prateleira cá de casa e que consulto em qualquer momento.

Partilhem, nas redes sociais, quais as maiores lições que tiraram dos vossos livros preferidos, identifiquem a revista ACTIVA e utilizem a hashtag #cartabranca. Até para a semana!

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